O internet mapping é um conceito nascido no final da década de 1990 e no limiar do grande boom da democratização do acesso à internet como meio de comunicação. O seu propósito maior é, como é indicado pelo seu nome, mapear o conjunto de ligações e conseguir estabelecer leituras secundárias sobre o modo como a internet é utilizada globalmente. Tal como na cartografia tradicional, o objectivo dos mapas é trazer ao seu utilizador um conhecimento sobredimensionado da sua realidade palpável, ou seja, um pré-conhecimento sobre as “fronteiras” (neste caso, virtuais) que o limitam.
Sendo a internet um espaço constituído apenas e só por relações de ligações de dados, os mapas encontrados não terão uma estrutura estática e predefinida mas antes volátil e dinâmica, como o meio que representam. A definição destes mapas pode ser feita momentaneamente, com recurso a um algoritmo matemático encontrado pelos investigadores. Este algoritmo percorre todas as redes, através de uma espécie de sonda informática (por alguns considerados um tipo de hacking) à procura de dados específicos que envia de volta ao computador emisor, que vai constituindo uma base de dados. Estes dados, que vão desde o simples ISP a que cada computador está ligado aos hiperlinks acedidos em determinado momento, formam depois gráficos produzidos por um programa chamado TraceRoute, provocando resultados diferentes, consoante as ligações detectadas em determinado momento ou as tags a analisar. O resultado é um conjunto de linhas coloridas que parecem atrair-se entre si com uma espécie de força gravitacional que nos permitem diversas leituras simultâneas de uma aparência da rede global.
O internet mapping é hoje uma das áreas mais entusiasmantes do design de informação e os resultados da cartografia da internet são já considerados como arte.
Nelson Vassalo, nº 3642
