“weblog” 1997, Jorn Barger

O termo “weblog” concebido por Jorn Barger em 1997, afasta-se daquilo que é a função actual de um blog, foi concebido inicialmente como um uma página Web onde o autor diariamente, ou frequentemente, colocava links que transportava o leitor para páginas exteriores, dentro de um tema específico.
A par de termo de weblog, Jorn Barger, concebe o primeiro weblog robotwisdom, definia, o que se podia chamar, de template, organizado verticalmente com zonas específicas para a colocação dos temas, seguido do link, organizados em categorias de actualidade ou temáticos, utilizando a menor número de palavras possível e muitas vezes, era constituído apenas por abreviações.

robotwisdom

O objectivo principal era a rapidez e facilidade de utilização, possibilitando ao leitor em segundos encontrar o link pretendido e navegar para outra página, como se se tratasse de uma base de dados de fácil acesso, que qualquer pessoa podia disponibilizar e indicar uma lista de sítios Web sobre assuntos específicos. Esta ideia de partilha e acesso à informação, foi pensada de modo a facilitar o acesso a informação classificada de qualidade que já existia, dispersa, na Web, contudo a utilização generalizada transformou os blogs em diários onde qualquer pessoa com acesso à internet produz informação, que por vezes se torna desacreditada. Peter Merholz, altera o termo “weblog” para o definitivo termo “blog” em 1999, como continua a ser chamado actualmente.

A comunidade de blogs tem tido um crescimento exponencial, se em 1999 o número de blogs não devia ultrapassar os 50, já no fim de 2000, estimavam-se poucos milhares, actualmente existem 70 milhões de blogs e diariamente são criados cerca de 120 mil.

Vanda Mota 3795

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“BioWall”, Daniel Mange

Durante vários anos, o Swiss Federal Institute of Technology, tem desenvolvido trabalho num hardware bio-inspirado. Com influências de muitos campos de investigação, este projecto resultou num objecto que se constitui como um enorme passo na criação de tecidos inteligentes bio-inspirados, capazes de se auto-reparar, replicar e aprender. Este objecto é a BioWall. Uma superfície coberta por milhares de módulos electrónicos transparentes, sensíveis ao toque e que permitem aos utilizadores a interacção com a superfície do painel através do toque, acto humano mais instinctivo.

O painel, ao ser tocado, comunica de volta com o utilizador, reagindo ás acções que este efectua sobre a sua superfície, sendo que esta habilidade é demonstrada por diversas aplicações. Esta habilidade é também demonstradora da inspiração da BioWall na natureza na medida em que se baseia na adaptação dos seres ao ambiente.

O principal objectivo desta máquina é então servir de plataforma para demonstrar as aplicações dos sistemas Embryonics ao público através da interacção visual e táctil.

BioWall Childs

Por exemplo temos o caso de um BioWatch, que funciona na BioWall, que não é mais do que um simples relógio digital em que aparecem as horas, os minutos e os segundos. Contudo este tem a capacidade de reagir ao toque do utilizador e de se auto-reparar e replicar consoante a acção provocada pelo utilizador. É um princípio de acção-reacção.

BioWatch

Assim, fica demonstrado que esta máquina tem potencial para se transformar numa série de protótipos inspirados em muitos sistemas celulares. As capacidades da BioWall ainda estão a ser desenvolvidas e descobertas, pelo que o seu potencial tecnológico é muito elevado e pode ter inúmeras aplicações em diversas tecnologias e meios, como o vestuário, a arte, os media, etc, sendo que já está provada a sua versatilidade.

 

Mário Pereira // 3638

John Cage// Variations V (1965)

John Cage (1965)

Compositor musical experimentalista, poeta, filósofo e escritor norte-americano, John Cage ficou conhecido pelo uso não convencional de instrumentos e pelo seu pioneirismo na música electrónica. Veio contornar a ideia de música como uma série ordenada de notas, voltando-se para outras concepções de música. Estas experiências abriram portas para performances entre as décadas de 50 e 60, que introduziram diversos actos, barulhos, imagens, e movimento para o espaço da performance, tal como no seu trabalho Variations V. Variations V, foi realizada a 23 de Julho de 1965, pela Companhia de Dança Merce Cunningham, onde John Cage teve a colaboração de Malcolm Goldstein, Gordon Mumma, James Tenney, e David Tudor, com filmes de Stan VanDerBeek, e vídeo de Nam June Paik. Robert Moog construiu antenas especiais, que eram colocadas por todo o palco, de modo a accionar a música no momento em que os bailarinos passassem por eles. John Cage e David Tudor combinaram dois sistemas de som, capazes de serem accionados através de movimento. Para o primeiro, Billy Klüver desenvolveu um sistema
de fotocélulas celulares destinadas ao palco das luzes, e deste modo, os bailarinos, accionavam os sons no momento em que cortavam os feixes luminosos com os movimentos. Um segundo sistema usava uma série de antenas. Quando um bailarino pisava um fio, resultaria num som. Dez fotocélulas eram ligadas para activar fitas de gravadores e rádios de ondas curtas. Deste modo, cada performance emitiria diferentes composições sonoras. Cecil Coker desenvolveu um circuito de controlo e foram colocados filmes de Stan VanDerBeek e Nam June Paik manipulava imagens, as quais eram projectados em ecrãs por detrás dos bailarinos.

Do you love the audience? Certainly we do. We show it by getting out of their.”

John Cage

The internet mapping project, Bill Cheswick + Hal Burch, 1998

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O internet mapping é um conceito nascido no final da década de 1990 e no limiar do grande boom da democratização do acesso à internet como meio de comunicação. O seu propósito maior é, como é indicado pelo seu nome, mapear o conjunto de ligações e conseguir estabelecer leituras secundárias sobre o modo como a internet é utilizada globalmente. Tal como na cartografia tradicional, o objectivo dos mapas é trazer ao seu utilizador um conhecimento sobredimensionado da sua realidade palpável, ou seja, um pré-conhecimento sobre as “fronteiras” (neste caso, virtuais) que o limitam.

Sendo a internet um espaço constituído apenas e só por relações de ligações de dados, os mapas encontrados não terão uma estrutura estática e predefinida mas antes volátil e dinâmica, como o meio que representam. A definição destes mapas pode ser feita momentaneamente, com recurso a um algoritmo matemático encontrado pelos investigadores. Este algoritmo percorre todas as redes, através de uma espécie de sonda informática (por alguns considerados um tipo de hacking) à procura de dados específicos que envia de volta ao computador emisor, que vai constituindo uma base de dados. Estes dados, que vão desde o simples ISP a que cada computador está ligado aos hiperlinks acedidos em determinado momento, formam depois gráficos produzidos por um programa chamado TraceRoute, provocando resultados diferentes, consoante as ligações detectadas em determinado momento ou as tags a analisar. O resultado é um conjunto de linhas coloridas que parecem atrair-se entre si com uma espécie de força gravitacional que nos permitem diversas leituras simultâneas de uma aparência da rede global.

O internet mapping é hoje uma das áreas mais entusiasmantes do design de informação e os resultados da cartografia da internet são já considerados como arte.

Nelson Vassalo, nº 3642

“Spio” 2004, de Lucas Bambozzi

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Spio Project, é uma instalação realizada em 2004 por Lucas Bambozzi, artista contemporâneo que utiliza como meio de suporte para as suas ideias, os novos meios tecnológicos. Este projecto tem como elemento principal um aspirador autónomo, programado para ser equipado com câmaras CFTV* de vigilância infravermelhas, sem fio de alta sensibilidade. Através deste robô que percorre toda a exposição freneticamente com movimentos pré-definidos, Spio transmite sons de disparo e imagens da exposição com uma perspectiva diferente dos visitantes, que são projectadas no espaço em tempo real, de forma contínua. Este pequeno robô é acompanhado por duas câmaras que invadem o espaço do espectador, uma espécie de voyeur, colocando assim o artista, no topo de uma célebre frase de William Burroughs, “Observai o observador observado”. Desta forma o artista questiona todo o controlo e vigilância de que somos alvo quotidianamente, podendo esta ser feita por simples aparelhos que instalamos e consumimos nas nossas habitações. A utilização de câmaras CFTV, é algo que tem vindo a ser explorado por artistas através de ambientes interactivos, associados a sistemas de comunicação de alta tecnologia, como é visível em Something Pacific (1986), de Nam June Paik, que através de uma câmara CFTV, filma um Buda e este encara a sua própria imagem, utilizando assim este sistema de vigilância, para nos mostrar como televisão se encontra completamente integrada no nosso quotidiano. Spio é então um instalação que se integra no campo da Arte Generativa, em que a obra é completamente autónoma do artista, tendo este programado e condicionado as acções possíveis dos sistemas integrados na instalação, sendo estes em contacto com o ambiente que vão gerar a estética, interacção e possibilidades da instalação. Lucas Bambozzi utiliza então estes sistemas como ferramenta/meio de produção de uma ideia, que se concretiza no conceito do objecto.

* Circuito Fechado de Televisão

João Sousa_ 3627


spio01

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“Sonic City” — Interactive Institute & Viktoria Institute:’04

sonic city — apresentação

[Acompanhamento vídeo do sistema em prática — screenshot]

O projecto Sonic City, maioritariamente concebido e testado em Gotemburgo, Suécia entre 2002-04, sugere um sistema de geração musical em tempo real, capaz de elaborar composições electrónicas únicas e individualizadas a partir do mapeamento do ambiente no qual o utilizador se insere.

O sistema dispensa o utilizador de interferir directamente com o mesmo: o caminhante oferece apenas condições e matéria consequentes do seu percurso e recebe, via headphones ou outro hardware de output audio, em tempo real, a composição consonante com o nível e qualidade de interacção com a cidade.
O sistema depende de curtas e sucessivas gravações por microfone, recebidas por um computador portátil e re-transmitidas num dado ritmo, densidade e intensidade ao caminhante, cujo percurso é analisado por sensores lumínicos, de movimento e proximidade instalados ao longo do corpo do utilizador.O mapeamento geral é feito a dois níveis básicos: baixo e alto. Num baixo-nível, são produzidas peças musicais curtas e isoladas que adicionam certas qualidades ao espectro sonoro. Estas surgem da medição de parâmetros discretos (objectos/corpos com os quais nos cruzamos, tocamos ou aproximamos) e parâmetros contínuos (intensidade lumínica prevalecente ou poluição sonora, por exemplo). Ao alto-nível, são consideradas combinações de acção e contexto, as quais influem na estrutura compositiva da música. O mapeamento geral é feito a dois níveis básicos: baixo e alto. Num baixo-nível, são produzidas peças musicais curtas e isoladas que adicionam certas qualidades ao espectro sonoro. Estas surgem da medição de parâmetros discretos (objectos/corpos com os quais nos cruzamos, tocamos ou aproximamos) e parâmetros contínuos (intensidade lumínica prevalecente ou poluição sonora, por exemplo). Ao alto-nível, são consideradas combinações de acção e contexto, as quais influem na estrutura compositiva da música.

A ambiência da cidade materializa-se então em sonoridades electrónicas abstractas/concretas, desafiando o utilizador a conhecer uma nova face da sua dimensão urbana. O desafio é também aceitar a aleatoriedade deste “instrumento musical”, em que o controlo é repartido pela influência racional do utilizador e pela imprevisibilidade do ambiente.

O objectivo final, na minha opinião o ponto chave do projecto, é o de tirar partido das actividades e percursos quotidianos e transformá-los em ferramentas e matéria criativas, encorajando a exploração física e o desenvolvimento das capacidades perceptivas.

João Simões, nº3629

“Just In Time Watch” (2007), Martin Frey

Protótipo “Just In Time Watch”

Just In Time Watch é um sistema interactivo inserido num relógio, com o propósito de ajudar o utilizador a chegar a tempo aos compromissos. Este sistema foi criado pelo designer Martin Frey, cujo trabalho incide no desenvolvimento de novos conceitos de interacção entre o homem e o computador.

Martin Frey desenvolve a arquitectura de informação, a função e o interface dos dispostivos e serviços baseando-se numa única directriz: No centro de todas as suas considerações encontra-se o ser humano com as suas capacidades e particularidades cognitivas e sensoriais. O seu método de pensamento intuitivo na resolução dos problemas e a sua imparcialidade relativa à tecnologia conduzem o seu trabalho conceitos revolucionários que primam pelo seu potencial prático às necessidades da actualidade.

Neste sentido, Martin Frey criou um relógio que responde ao comum diálogo mental que nos surge ao olharmos para um relógio. Esse diálogo passa por questões como: “Que horas são neste momento? Quando é o meu próximo compromisso? Onde será esse compromisso e quanto tempo demoro a chegar ao local? A que horas devo partir? Quanto tempo levarei a chegar? Será que devo ir já para lá? Será que já vou atrasado?”.

Para cumprir as funções propostas, este sistema integra-se na rede WEB e tem a capacidade de se ligar ao telemóvel do utilizador via Bluetooth. Esta ligação aos diferentes dispositivos e recursos, fornece ao relógio os ingredientes essenciais para este prestar os seguintes serviços: o relógio detecta a actual posição do utilizador através das coordenadas via GPS, GMS ou sistemas de localização transmitidas pelo telemóvel. Além disso, o telemóvel serve também como veículo de informações actualizadas pela WEB que indicam horários de transportes e serviços de informação de trânsito.

A integração destas informações possibilitam ao relógio um “diálogo mental” que nós sózinhos não conseguiríamos processar com tanto rigor. Desse modo, o relógio apresenta primeiramente o tempo em relação ao próximo compromisso, a posição do usuário assim como o tempo e a distância que ainda falta percorrer. A posição actual do usuário é comparada com a posição na qual este deveria encontrar-se para chegar à hora prevista ao respectivo local. Conforme a posição do indivíduo em relação à posição a que deveria estar, o relógio mostra ao utilizador, que está atrasado e tem que se apressar ou está adiantado e pode relaxar. Esta informação essencial é comunicada através de códigos intuitivos de cor, som e vibração caso o utilizador pretenda que assim seja.

Ana Lúcia Pé-Curto Nº3614