Tag Archives: hipertexto

«Patchwork Girl», Shelley Jackson

Patchwork Girl

   Patchwork Girl trata-se de um exemplo de literatura electrónica da autora americana Shelley Jackson. Foi publicado por Eastgate Systems em 1995 e foi considerado um trabalho de ficção hipertextual de elevada importância.

Baseado em dois livros, Frankenstein de Mary Shelley e Patchwork GirlExemplo de uma secção de Patchwork GirlExemplo de uma secção de Patchwork Girl of Oz de L. Frank Baum, este projecto apresenta a história através de ilustrações de partes do corpo de uma mulher que se vão unindo por meio de texto e imagem.

  A narrativa da história é dividida em cinco segmentos: Quilt, Journal, Graveyard, Story e Broken Accents. Cada segmento leva a história em múltiplas direcções através de várias ligações de texto e imagem. Em Quilt encontra-se uma mistura de espaços da história criados pela combinação de frases de diferentes fontes – desde o livro de Baum aos manuais sobre hipertexto. A secção Journal representa o escrito de Mary Shelley sobre o seu primeiro encontro com a sua criação feminina. A fracção seguinte refere-se a Graveyard e consiste numa lista com o nome das várias partes e órgãos do corpo que saem do monstro feminino. Em Story o monstro passa do século XVIII para o século XX num curto espaço da história. Aqui existem duas opções das quais o leitor terá de escolher um a – a de amante ou a de monstro. Estas duas opções giram em parte em volta do mesmo texto, o que leva a um final semelhante. Por último, em Broken Accents a história é levada a cinco ligações distintas e algumas delas irão girar em torno das mesmas repetidamente. Contudo, o leitor poderá optar por uma ligação e criar sua história. Nesta parte a autora Shelley cria vários espaços da história em que aborda temas como o nascimento, a morte, a ressurreição, o tempo e os desafios e benefícios do hipertexto.

Exemplo de uma secção de Patchwork Girl

  Patchwork Girl é como uma espécie de “escolha-a-sua-aventura” história, e torna-se um projecto interessante na medida em que permite ao leitor criar o seu enredo e decidir qual o caminho a seguir.

 Daniela Torres #3619

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“weblog” 1997, Jorn Barger

O termo “weblog” concebido por Jorn Barger em 1997, afasta-se daquilo que é a função actual de um blog, foi concebido inicialmente como um uma página Web onde o autor diariamente, ou frequentemente, colocava links que transportava o leitor para páginas exteriores, dentro de um tema específico.
A par de termo de weblog, Jorn Barger, concebe o primeiro weblog robotwisdom, definia, o que se podia chamar, de template, organizado verticalmente com zonas específicas para a colocação dos temas, seguido do link, organizados em categorias de actualidade ou temáticos, utilizando a menor número de palavras possível e muitas vezes, era constituído apenas por abreviações.

robotwisdom

O objectivo principal era a rapidez e facilidade de utilização, possibilitando ao leitor em segundos encontrar o link pretendido e navegar para outra página, como se se tratasse de uma base de dados de fácil acesso, que qualquer pessoa podia disponibilizar e indicar uma lista de sítios Web sobre assuntos específicos. Esta ideia de partilha e acesso à informação, foi pensada de modo a facilitar o acesso a informação classificada de qualidade que já existia, dispersa, na Web, contudo a utilização generalizada transformou os blogs em diários onde qualquer pessoa com acesso à internet produz informação, que por vezes se torna desacreditada. Peter Merholz, altera o termo “weblog” para o definitivo termo “blog” em 1999, como continua a ser chamado actualmente.

A comunidade de blogs tem tido um crescimento exponencial, se em 1999 o número de blogs não devia ultrapassar os 50, já no fim de 2000, estimavam-se poucos milhares, actualmente existem 70 milhões de blogs e diariamente são criados cerca de 120 mil.

Vanda Mota 3795

The File Room // Antoni Muntadas, 1994

The File Room, Centro Cultural de Chicago, 1994

The File Room, Centro Cultural de Chicago, 1994 © 1995 Jan Sprij

Antoni Muntadas, nasceu em Barcelona, Espanha,1942, mas vive e trabalha em Nova Iorque desde1971. Em 1994, cinco anos de pesquisa culminaram no projecto The File Room, concebido como protótipo de um sistema interactivo e aberto, baseado num arquivo, não no aspecto tradicional, mas como um método alternativo de coleccionar, disponibilizar e processar informação, que estimulasse o diálogo sobre questões relacionadas com a Censura, um conceito, segundo Muntadas, enraizado no nosso consciente e inconsciente. Assim, sugere-se a análise de como a Censura, tem sido orquestrada ao longo dos tempos, em termos culturais, em diferentes contextos, países e civilizações, propondo-se tornar visível o que, até agora, teria sido suprimido e/ou apagado da nossa memória. Fisicamente, The File Room, integrado na antiga biblioteca do Centro Cultural de Chicago, é um espaço delimitado por paredes de metal, nas quais, estão inseridas 552 gavetas e, em cacifos respectivos, 7 monitores de 7 computadores, ligados a um servidor central, que permitem o acesso a documentos censurados, segundo 4 categorias temáticas: localização geográfica, data, razão, e método. No centro da sala, existe ainda uma secretária com outro computador, que permite inserir directamente no arquivo, novos casos, ou exemplos. Mas, pela sua especificidade e objectivo, The File Room, rapidamente superou esta condição, e alcançou uma nova dimensão. A Internet, como nova plataforma do projecto, transformou-o, como afirma Muntadas, numa «escultura social». A consequente interactividade, permitia completar informação insuficiente ou perdida, animar o debate e a discussão, e reflectir opiniões de todos os lados, a todo o momento. As contribuições, em forma de hipertexto incluiam hiperlinks, textos ou imagens, presentes noutros locais da Internet. O livre acesso e abertura global permitiram a este arquivo um crescimento constante e sem conclusão. Como diz Judith Kirshner «(…) it can only be concluded if someone pulls the plug or censors the file.» (in Ars Electronica, 1995). Em 1995, The File Room foi premiado Ars Electronica, em Linz, Alemanha, por este projecto.

The File Room remains an organic initiative; its shape ultimately determined by the input of participants. Thank you for your past support and participation. And for visiting today.
Antoni Muntadas, 1994

Já tinha conhecimento da obra de Antoni Muntadas, relativa, de grosso modo, aos meios de divulgação e mediatização da informação. Pareceu-me adequada a escolha desta obra em particular, que permite uma influência directa do utilizador sobre o projecto, e pela nova abordagem aos meios que o autor faz, levantando questões e contradições relacionadas com a supressão de informação, em diversos contextos.

Mª Inês Veiga #3636

Narrativas Interactivas

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Yearbook 2006

“Museums have long been on the forefront of creating interactive narratives for the Web. Arguably all museums have a mandate bring their collections and history to life and to educate the public. In its brief history the Web has evolved into a much broader and more complex medium. Advances in technology in both design and delivery are allowing museums to tell more complex and sophisticated stories. These advances bring more talent in to the fold and more tools to use. It is now possible to tell stories that are incredibly rich, immersive and increasingly interactive”. Museums and the Web 2007

Stephen Meadows define narrativa interactiva como “a time-based representation of character and action in which a reader can affect, choose, or change the plot” . Entre prácticas diferenciadas de narrativas interactivas encontram-se o hipertexto, os jogos electrónicos, a ficção literária interactiva e as narrativas de contrução social em espaços de multi-utilizadores. Cada umas destas aproximações estabelece de forma distinta as relações entre interacção e narrativa.