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«Eye-drawings», Jochem Hendricks (1992–1993)

A minha escolha incidiu sobre alguns trabalhos ao nível da percepção visual, de Jochem Hendricks e que se baseiam na mesma técnica, o «Eye-drawing».
Os «Eye-drawings» são desenhos feitos directamente com o olhar, sem a mais leve interferência das mãos. Para tal, utiliza-se um capacete especial equipado com dois sensores de infravermelhos, que estão ligados a duas pequenas câmaras de vídeo. Através dos reflexos da retina os sensores infravermelhos seguem os movimentos de ambos os globos oculares, simultaneamente, e esta entrada (input) é registada separadamente pelas câmaras de vídeo. Estas gravações podem então ser digitalizadas, e por cada ponto em que o olho descansa pelo menos um centésimo de segundo pode ser localizado em termos de coordenadas nos eixos X e Y. Estas coordenadas podem então ser avaliadas por um computador, neste caso todos os pontos são processados segundo uma sequência temporal na qual eles foram surgindo, e unidos por uma linha contínua, pelo que a cada globo ocular corresponde a respectiva linha de movimentos.

Este processo foi também utilizado na realização de outro projecto, o «Zeitung» (1994). Os movimentos dos olhos aquando a leitura foram registados, digitalizados e impressos de modo idêntico ao de um jornal normal. O processo da leitura, que é invisível é tornado visível, e torna-se também num registo da absorção da informação.

Por último, mas agora utilizado de um modo mais interactivo, o «Active Eye Tracker», que foi apresentado publicamente na Expo 2000 em Hannover. Trata-se de um sistema onde a navegação se faz com o olhar. Foi concebido para permitir que uma vasta audiência pudesse experimentar a sua própria visão. O espectador senta-se num banco, pousa a sua cabeça num descanso e olha para um monitor, onde todas as operações são dispostas. A cabeça deve ficar imóvel e só os olhos devem movimentar-se. Todas as explicações e instruções são dadas verbalmente e as decisões são tomadas olhando para o comando seleccionado por dois segundos. Tudo começa com uma selecção verbal, então o olho é calibrado e aparece a sua imagem ao vivo. Posteriormente o espectador é solicitado a varrer a tela com o olhar, até que na parte inferior da mesma apareça um menu exibindo as quatro opções: a navegação, que permite navegar por um espaço com os olhos; o desenho, onde se desenha um círculo usando os olhos; a escrita, utilizando um teclado através os olhos; o olhar, observando o retrato de uma mulher. Ao abandonar o aparelho, o espectador pode levar consigo uma impressão com os seus movimentos oculares.
Neste conjunto de trabalhos os desenhos são feitos única e exclusivamente pelos olhos, sem qualquer ajuda adicional das mãos — o órgão de percepção transformou-se no órgão de expressão.

Jochem Hendricks 

Rita João Espinha, n.º3021

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